Ainda sobre mulheres...
Ela não era mais forte do que as mulheres mais fortes do mundo. Também não tinha as curvas mais belas do que as curvas mais belas das mulheres mais belas do mundo. Ela tinha poucas certezas na vida , e uma delas era a angustiante e absoluta certeza de que ela nunca seria a mulher mais importante do que as mulheres mais importantes da vida dele. Dele, que também não era o homem mais forte do que os homens mais fortes do mundo. E ele tinha um beleza que só ela e as mulheres importantes da vida dele conseguiam enxergar. Às vezes, ela deixava rolar em seu rosto algumas lágrimas que saíam sem que ela mesma soubesse o porquê, ou o por quem, ou o pra quê. Só sabia quê. Às vezes essas lágrimas saíam em público, no meio do bar onde ela costumava tomar sua cerveja quase diaramente, sozinha. Às vezes no meio do metrô. Às vezes no meio de um almoço de domingo em família. Mas só às vezes. Ela não era mais sábia do que as mulheres mais sábias do mundo, porque essas, com alguma certeza, ao menos sabiam porquê estavam chorando. por quem. ou pra quê. Ela sabia a diferença entre fazer sexo pela simples busca do prazer momentâneo e fazer sexo com ele, corpo que encaixava tão como peça que faltava no corpo dela. E fazer sexo por sexo deixava ela com uma sensação de quase nada no dia seguinte. De quase puta. Dava uma depressão, daquelas que dá no dia seguinte depois de usar pó. Isso ela deduzia, só. Ela só queria ter uma vida normal, e isso pra ela significava ter um amor normal. Tão simples, tão fácil, tão humano. Mas ela não tinha, nunca teve, ou não sabia o que era o amor. E ela talvez nunca saberá. Ela pensa que o amor é igual ao amor que o Cartola canta. E talvez não seja. Só porque ela não é a mulher mais sábia das mulheres mais sábias do mundo. E nem a mais feliz.
