Grandes viagens...
Entre, sente-se, fique à vontade.
Tuesday, April 29, 2008
Perco-me em cada esquina que passo, e as solas dos meus sapatos desgastam na paisagem triste, na passagem triste, nas palavras tristes que me ferem os ouvidos. Eu queria um pouco de paz. A janela está aberta pra levar a fumaça do meu cigarro, e as cinzas vão caindo sobre o mármore acinzentado pelo tempo. Olho-me no espelho e brinco com meus olhos cansados, brinco de olhar pra mim. Ensaio algumas feições, e passo pela constatação de que há mais rugas no meu rosto do que os meus vinte e dois anos deveriam me dar. Canso-me então da minha imagem (ou fico com tanto dó de mim que prefiro poupá-la). Rego uma planta, para afirmar a importância da minha existência, para compartilhar da dependência de um ser vivo que eu resolvi dar vida. Ela agradece, em silêncio, apenas com o ato de sugar rapidamente aquela água-vida que eu despejo. Então penso que haverão flores, e que vê-las nascer pode ser um dos momentos mais lindos da minha existência. Haverá sol, e me transporto à sensação de senti-lo bater sobre o meu rosto num fim de tarde, causando em mim uma pulsão de vida. Aquele famoso fio de esperança. Aquele sentimento otimista de que um dia, pelo menos por um dia, tudo ficará bem. Então abro as cortinas, e deixo a primavera entrar. Os móveis ganham cores novas com a entrada de luz natural em suas brutas formas. Sinto a claridade entrar em minha bruta forma. E de repente, na mesma pulsão de um orgasmo, sinto a vida entrar em mim, amaciando meus órgãos, enfeitando minhas veias. O barulho da rua me lembra que as pessoas continuam. Nada parou. Então eu tomo a sábia decisão de seguir.
Sunday, February 17, 2008
Pifou!
Não sei se isso aqui acabou. É difícil acabar as coisas. A virtude do desapego é pra poucos. É pros heróis, pros budistas, pros naturalistas, e um tanto de outros "istas" (que nem sempre inclui os artistas). Escrever sempre foi minha fuga, e sempre incluiu apegos. Acho que ando fugindo menos, simplesmente por não ter pra onde fugir. Ando escrevendo menos, simplesmente por estar vivendo mais, por estar sendo honesta com a minha existência. Eu poderia falar do meu coração que anda um tanto confuso, ou das minhas perspectivas, ou da ausência de presenças físicas que ainda causam uma pontada (mas dessa vez saudável) de saudade. Poderia também me esconder atrás da terceira pessoa do singular e escrever intimidades, banalidades, sacanagens, tentando sempre misturar ficção para não deixar minhas crises virarem novela. Eu poderia voltar a escrever. Mas esse texto é a prova de que não consigo, e não há nenhuma falsa modesta nisso.
Sunday, November 04, 2007
sempre passa.
Ela só esperava setembro chegar, enfeitada com seu melhor vestido, carregando uma centena de flores(lírios, dos mais bonitos), e munida de uma vontade de possuí-lo o corpo e a alma, da maneira mais intensa que se pode possuir alguém, daquela vontade que dá de tornar-se um só ( a isso deram o nome de amor).
Ela esperava da maneira mais bonita que uma mulher pode esperar por seu homem, como aquelas que esperavam seus soldados voltarem vivos da guerra, porque a esperança era de que o amor deles voltasse vivo. A esperança era de que não tivesse havido guerra.
Às vezes ela esperava embriagada num bar, mulher largada em busca de um sexo que, sabia, nunca seria tão bom quanto.
E era na letra do bolero que sua história de espelhava. Era no romance que lia, no filme francês que assistia, nos papos que tecia (e como é fácil falar de amor).
A imagem era até bonita, aquela moça tão apaixonada que corava e ganhava brilho nos olhos quando se dava conta, em alguns desses papos de amor, que faltava pouco pra essa espera cessar( na verdade, se dava conta a cada vez que virava uma folha da agenda, francesa).
Quando a espera se tornava insuportável, ela fazia poesia, algumas até mandava pra ele, só pra reafirmar com palavras que valia a pena, que valeria a pena. A vida não poderia ser tão injusta e fazer com que fosse tudo em vão, ela pensava e se repetia todos os dias antes de dormir com a solidão e com a ausência do corpo dele.
Ela só esperava setembro chegar com sua primavera, e no entanto ele chegou com um outubro quase outono, e fez com que tudo virasse uma imensa tempestade de verão. A sorte é que chuva de verão sempre passa, deixando a esperança de que no dia seguinte haja sol.
Ela esperava da maneira mais bonita que uma mulher pode esperar por seu homem, como aquelas que esperavam seus soldados voltarem vivos da guerra, porque a esperança era de que o amor deles voltasse vivo. A esperança era de que não tivesse havido guerra.
Às vezes ela esperava embriagada num bar, mulher largada em busca de um sexo que, sabia, nunca seria tão bom quanto.
E era na letra do bolero que sua história de espelhava. Era no romance que lia, no filme francês que assistia, nos papos que tecia (e como é fácil falar de amor).
A imagem era até bonita, aquela moça tão apaixonada que corava e ganhava brilho nos olhos quando se dava conta, em alguns desses papos de amor, que faltava pouco pra essa espera cessar( na verdade, se dava conta a cada vez que virava uma folha da agenda, francesa).
Quando a espera se tornava insuportável, ela fazia poesia, algumas até mandava pra ele, só pra reafirmar com palavras que valia a pena, que valeria a pena. A vida não poderia ser tão injusta e fazer com que fosse tudo em vão, ela pensava e se repetia todos os dias antes de dormir com a solidão e com a ausência do corpo dele.
Ela só esperava setembro chegar com sua primavera, e no entanto ele chegou com um outubro quase outono, e fez com que tudo virasse uma imensa tempestade de verão. A sorte é que chuva de verão sempre passa, deixando a esperança de que no dia seguinte haja sol.
Thursday, August 09, 2007
L´amour
Pra falar de quando o amor, deixei minhas trouxas guardadas no sótão e foquei, como quem opera a luz de um espetáculo, os momentos ápices de quando o senti. Pra falar de onde o amor, penso em fotos, momentos-imagens penduradas na parede da minha mente (às vezes insana) do lugar onde os sinos tocaram anunciando a ocupação de um amor sem-teto no meu coração, como quem não pede licença pra entrar, porque pensa ter direito de.
Pra falar de quem o amor, só ouço meu pulsar.
É mais bonito falar do amor em poesia, mas eu não sei fazer rima. Então vou proseando, tentando deixar as frases sem medida falarem por mim.
Pra falar de quem o amor, só ouço meu pulsar.
É mais bonito falar do amor em poesia, mas eu não sei fazer rima. Então vou proseando, tentando deixar as frases sem medida falarem por mim.
Sunday, May 20, 2007
...porque bastava segurar na sua mão pra me sentir completa, como se seu corpo fosse a continuação do meu. Porque a melhor parte do dia era dormir no encaixe perfeito dos nossos corpos. Onde foi que eu larguei minhas prosas? Quando foi que deixei de chorar por palavras? Hoje choro lágrimas que só escrevem a palavra saudade ( por mais brega que isso seja), e temo que o amor certo tenha acabado com minhas ideias confusas que geravam tantos escritos. É que cansei de falar do nosso amor, porque ele já ganhava palavras mesmo antes do meu coração te conhecer. E eu achei que sentindo essa dor de saudade, pudesse voltar a escrever. Mentira. Minhas palavras estão de luto, até você voltar ao seu devido lugar. Porque você basta pro meu coração voltar a sorrir.
Wednesday, March 28, 2007
Eu queria sentar pra escrever e sair alguma coisa assim:
"Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida..."
Mas já escreveram isso. Então eu me frustro.
"Eu quero a sorte de um amor tranquilo, com sabor de fruta mordida..."
Mas já escreveram isso. Então eu me frustro.
Wednesday, November 29, 2006
devaneios...
Eu te trouxe pra dentro do peito no meio de um soneto que cheirava a carnaval.
E no que estava translúcido te achei homem, te achei companheiro e já te queria pra quarta-feira de cinzas.
Segui teu bloco, que virou nossa dupla, que seguiu pela rua sem rumo, com destino ao querer.
Já te queria pro natal.
E quando vier o ano-novo, te quero de novo, te quero pro todo, até pra quando o carnaval chegar.
E soltarei confetes com a certeza no peito de que te quero pra qualquer feriado.
Não tem jeito: meu futuro te clama.
Então casamos, vamos amar.
E quando vierem os aniversários, a gente enfeita a casa, enche bola, sopra vela.
Bebemos nossas primaveras
E invernamos os dias que verão.
E enrolamos o despertar de todo dia
Só pra fazer companhia ao travesseiro.
E nos perderemos, nos encontraremos, cozinharemos e faremos vidas.
E chamarei de Alice a primeira vida que vier menina.
E aí vem a eternidade
E isso já é uma outra história...
Tuesday, November 14, 2006
Fruto de uma embriaguês entre amigos
Tu te frute
Enquanto eu cacho na sua banana
minha pêrola amangorece
vir amorá madura
antes que minha fome cesse.
by Danilo e Camila
P.s: quem sou eu? O chucalho amarrado na canela.
A saideira
O homem que matou Getúlio Vargas
Um punhado de miçangas
guitá guitá guitá
Monday, November 06, 2006
Complementando...
Se eu soubesse do tamanho da ausência da tua presença, teria de dado um beijo na segunda que só acabaria no sábado.
Wednesday, October 25, 2006
Um desabafo mais explícito.
Eu prefiro meus textos de antes de você. Você estragou um pouco minha literatura, porque escrever sobre a felicidade e sobre o amor nunca me agradou muito. Esse lado menininha apaixonada eu até exerço de vez em quando, mas sempre me leio idiota. O amor e todas as babaquices que o circundam sempre soam idiota. Às vezes até na voz e poesia do Vinicius ( o de Morais, claro, sempre). Eu adoro o fato do nosso amor estar livre de algumas coisas que eu achava que faziam parte, obrigatoriamente, de uma realção. Nosso amor tá livre de datas, e isso tá sendo bom e novo pra mim. Aliás, a única data do nosso amor foi o dia em que a gente se conheceu, o dia que ele ganhou vida e disparou a crescer ( que dia foi mesmo?)
Eu conto há quantos dias estou sem você por perto. Sem sua pele, pra ser mais específica. Eu conto há quantos dias não sei dos seu olhos, há quantos dias não sei da sua lingua na minha, da sua mão na parte de dentro da minha coxa, lugar que já virou tão seu pelo seu querer. Eu conto há quanto tempo não sinto o seu cheiro, que nem é um cheiro de perfume, é o cheiro da tua pele, aquele que é identidade da gente. Eu conto há quanto tempo a gente não faz as coisas que a gente amava fazer junto, que vão desde sexo até almoçar yakisoba no pé-de-chinelo chinês. Eu no Flamengo sinto sua falta. Eu nos cinemas de botafogo sinto sua falta. Eu no Centro sinto sua falta. Eu na Lapa, eu em Santa Teresa, eu na faculdade, eu no trabalho, eu em casa, eu no ônibus, eu em Copa, eu em Sampa, eu em qualquer lugar que eu já tenha sido a gente. Cartola me lembra você. Zé Ketty me lembra você.Chet baker me lembra você, e jazz nunca foi nosso ritmo. Eu demoro a perceber as coisas pequenas ( aquelas famosas, que dizem ser a felicidade mais simples) sem você por perto. Vou vivendo minha vida sem você porque, querendo ou não, ela não costuma parar pra que a gente, eu e ela - a vida- discuta relação.E conto os dias pra te ver de novo. E sorrio os lábios pensando nesse dia. Me disseram que a felicidade não pode ser promessa nem objetivo de ninguém. Então eu vou vivendo esquecendo esse lance todo de saber se estou feliz, como quem bota um termômetro pra saber se tem febre. Mas saiba ( você sabe, apesar de não ler meus textos), o tamanho da falta que você faz. Como o dedo mindinho do Lula.Como Alguns grãos de açucar no café. O bussunda, pros Cassetas. O Zacarias pros Trapalhões. Queijo ralado no macarrão. Um pinto pro sexo dos gays. Um pinto pro sexo das heteros.Um acento no a de quem vai à algum lugar.Um CD animado numa festinha improvisada. Uma cerveja gelada debaixo do sol. Um cigarro pra acompanhar a cerveja. Uma mãe quando se está doente. Um carro quando se está longe e com preguiça. Cássia Eller. Nando Reis nos Titãs. Cultura pra quem não a tem. Um bom livro pra uma viagem longa.O sol num feriadão.Sexo num dia de cio.
Thursday, October 12, 2006
bláblá
Nesse quadrado em branco, tento despejar algumas palavras que ando devendo a esse blog. Ando devendo a mim mesma, na verdade. Sempre me perguntei se esse método "escrever numa velocidade em que os dedos quase se embolam no teclado" ou " o vômito de palavras" dava certo, e ainda não tenho a resposta. Por hoje, vou adotá-lo.
Quero falar da necessidade que nós - jovens - temos de viver mais do que a própria vida nos permite. Ultrapassar o limite do cansaço do corpo procurando por drogas com efeito "animador", por exemplo, é uma boa maneira de se forçar a se divertir quando o corpo não permite. Será que dá pra comparar com o viagra? Não, essa seria uma outra discussão. Como eu ia dizendo, nós - jovens - , já que a sociedade assim nos chama, temos que viver sempre essa juventude ( que dizem os mais velhos, passa rápido), e de tanto ouvir que passa rápido, tentamos prolongar ao máximo essa faixa etária que nos é concedida pelo calendário, e nessa tentativa, acabamos envelhecendo mais rárpido. Quanto mais se faz coisa, menos se vê o tempo passar. E se não vemos o tempo passar, é claro que quando formos mais velhos, falaremos pros jovens que esse tempo passa rápido. A conlusão então é: Os não-mais-tão-jovens que falam pra gente aproveitar a juventude porque ela "passa rápido" são os que mais aproveitaram a juventude! Nem eu sei onde cheguei com essa blablação toda. Na verdade, reli e não entendi muito bem .
Isso tudo é pra provar que o método "vômito de palavras" não deve ser aplicado ao meu cérebro. E meu blog ganha esse texto ridículo.
Quero falar da necessidade que nós - jovens - temos de viver mais do que a própria vida nos permite. Ultrapassar o limite do cansaço do corpo procurando por drogas com efeito "animador", por exemplo, é uma boa maneira de se forçar a se divertir quando o corpo não permite. Será que dá pra comparar com o viagra? Não, essa seria uma outra discussão. Como eu ia dizendo, nós - jovens - , já que a sociedade assim nos chama, temos que viver sempre essa juventude ( que dizem os mais velhos, passa rápido), e de tanto ouvir que passa rápido, tentamos prolongar ao máximo essa faixa etária que nos é concedida pelo calendário, e nessa tentativa, acabamos envelhecendo mais rárpido. Quanto mais se faz coisa, menos se vê o tempo passar. E se não vemos o tempo passar, é claro que quando formos mais velhos, falaremos pros jovens que esse tempo passa rápido. A conlusão então é: Os não-mais-tão-jovens que falam pra gente aproveitar a juventude porque ela "passa rápido" são os que mais aproveitaram a juventude! Nem eu sei onde cheguei com essa blablação toda. Na verdade, reli e não entendi muito bem .
Isso tudo é pra provar que o método "vômito de palavras" não deve ser aplicado ao meu cérebro. E meu blog ganha esse texto ridículo.
Thursday, September 07, 2006
Resposta
Ela mandou dizer que anda vivendo umas cenas muito reais ultimamente. Ela se despediu do seu grande amor, aquele que ela tanto procurava, lembra? Aquele que ganhou tantas palavras e versos e contos. Aquele que era o mais esperado. Ela viveu a cena de despedida mais clichê, digna de Oscar. Ela anda romântica e boba. Quer tomar porres. Quer fazer o tempo passar mais rápido do que o relógio faz de costume. Ela anda preocupada com um futuro muito próximo. E muita coisa anda dependendo dela. E ela, como boa libriana, anda muito confusa e medrosa. Ela lê um e-mail e chora, ela vê uma foto e chora, ela bota o pijama, vai pra cama, e chora. Ela desacustumou a dormir abraçada a um travesseiro. Mas ela mandou dizer que está bem, e que em breve sua vida vai voltar ao normal. Um breve que ela não quis especificar em dia, mês e ano. É o começo de uma fase obscura e cheia de surpresas, e ela precisa juntar forças.Bater cabeça, planejar, trabalhar, estudar, se masturbar, sair com os amigos pra ganhar colo e comas alcoolicos. Ela precisa começar a fazer aulas de francês.E cumprir a promessa de ser feliz e ficar bem.
Monday, August 07, 2006
A coisinha mais pequenina do mundo.
Assim como uma boneca de porcela. Assim assim, bem frágil. Uma pequena coisinha agarrada em outra pequena coisinha no meio desse mundo imenso. Músculos doloridos, cérebro querendo sair da cabeça, coração molenga, daqueles que se pode botar na mão e fazer carinho por pena. Como se fosse quebrar com um bocejo de alguém, ou ser achatada por uma gota d`água qualquer. Era assim que ela se sentia diante desse mundo que não parava de crescer, assim como as unhas dos dedos de seus dois pés. Pensava que a cada cinco respirações suas, nascia uma nova pessoa no planeta. Pensava até além dos limites do planeta, já que estrelas poderiam nascer também. Ela tinha medo de ser esmagada pelo mundo, de morrer asfixiada. Sofria de claustrofobia, assim como sua mãe. Tinha Pânico de elevador, assim como seu pai. E cada vez que se sentia infinitamente pequena em relação ao mundo, ficava olhando para uma caixinha colorida que tinha na sua cabeceira, tirando vantagem de ser maio do que ela, de poder pegá-la nas mãos e destruí-la quando bem entendesse. Mas nunca chegou a fazê-lo. Além de frágil, era medrosa, sofria por antecipação, tinha medo do escuro e das pessoas. Não sabia onde essa angústia ia parar, e se um dia ela ia conseguir enxergar toda essa grandeza de uma maneira bonita. Queria achar o infinito do mar tão belo quanto a boniteza de uma joaninha. Queria ver o casco de um navio e ter coragem de chegar bem pertinho a ponto de tocar. Só via beleza em coisas pequenas, talvez por segurança. Precisava se sentir segura sempre. Já teve vontade de morar numa casinha de boneca. Ela, de porcelana, com um teto e paredes que pudesse tocar. Tinha necessidade do concreto, do que os olhos pudessem ver ao todo, sem ter que imaginar infinitude para as coisas. O infinito era o responsável por várias noites de insônia. O infinito é grande demais pra caber na sua imaginação, e até doía nela imaginar um fim pra tudo que dizem ser eterno. Odiava reticências. E ao contrário do Chico, ela se afobava sim, porque tudo é pra já. Aqui, agora, presente, concreto. Presente. Eu sou. Eu estou. Je suis. E ela foi assim pra sempre. Pelo menos até o sempre dela, que, contrariando todos os seus desejos, foi quase eterno.
Saturday, August 05, 2006
Férias
- Vou tirar férias em Sri Lanka.
- Vai? Por causa do conto do Caio?
- Não, decidi que quero conhecer Sri Lanka.
- Onde fica Sri Lanka?
- Não sei, agora que decidi que vou passar as férias em Sri Lanka, farei uma pesquisa no Google e logo saberei tudo sobre lá, inclusive onde fica.
- Deve ser longe, esse lugar. Tem aeroporto lá?
- Não sei. Te mando por e-mail minha pesquisa no Google.
- Tá....................quando você vai?
- Nas férias, já disse.
- Hum...
- Você bota remédio no ouvido do meu gato? Fica na prateleira de cima, do lado do café. Duas gotinhas em cada ouvido.
- Tá...... porque você não leva seu gato?
- Pra Sri Lanka?
- É. Acho que você pode se sentir meio sozinho. Não se sabe como é lá.
- Vou ver no Google se mora muita gente lá. Você acha que eu posso levar meu gato?
- Acho que sim.
- Mas ele tá doente do ouvido, não é bom.
- Tem razão.
- Quer alguma coisa de lá?
- Eu não sei o que tem lá.
- Nem eu. Mas sempre tem um tapete, um trabalho artesanal... Tem nome de ilha, não tem? Sri Lanka? Deve ter produto indígeno, quer um cocar?
- Quero. Sempre quis ter um cocar feito por índios em extinção habitantes da ilha de Sri Lanka.
- Calma, eu nem sei se é ilha mesmo.
- Mas deve ser. Tome cuidado, viu. Não vai se meter no meio do mato sozinho.
- Talvez seja melhor eu levar meu gato.
- É, talvez seja.... Quando você volta?
- Não sei, quando a vida recomeçar aqui, eu acho.
- Tá. Eu devo passar minhas férias em Piratininga. Cada um com a ilha que merece.
- E Piratininga é ilha desde quando?
- E Sri Lanka, onde fica mesmo?
- Bem... Então boas férias. Te ligo quando chegar.
- Tá bom. Não esquece meu cocar de índio.
- Pode deixar. Tchau.
- Escuta, me manda a pesquisa no Google. Se Sri Lanka não for uma ilha, de repente eu me animo a ir te encontrar lá.
- Seria ótimo. Mando sim. Adios!
- Até.
- Vai? Por causa do conto do Caio?
- Não, decidi que quero conhecer Sri Lanka.
- Onde fica Sri Lanka?
- Não sei, agora que decidi que vou passar as férias em Sri Lanka, farei uma pesquisa no Google e logo saberei tudo sobre lá, inclusive onde fica.
- Deve ser longe, esse lugar. Tem aeroporto lá?
- Não sei. Te mando por e-mail minha pesquisa no Google.
- Tá....................quando você vai?
- Nas férias, já disse.
- Hum...
- Você bota remédio no ouvido do meu gato? Fica na prateleira de cima, do lado do café. Duas gotinhas em cada ouvido.
- Tá...... porque você não leva seu gato?
- Pra Sri Lanka?
- É. Acho que você pode se sentir meio sozinho. Não se sabe como é lá.
- Vou ver no Google se mora muita gente lá. Você acha que eu posso levar meu gato?
- Acho que sim.
- Mas ele tá doente do ouvido, não é bom.
- Tem razão.
- Quer alguma coisa de lá?
- Eu não sei o que tem lá.
- Nem eu. Mas sempre tem um tapete, um trabalho artesanal... Tem nome de ilha, não tem? Sri Lanka? Deve ter produto indígeno, quer um cocar?
- Quero. Sempre quis ter um cocar feito por índios em extinção habitantes da ilha de Sri Lanka.
- Calma, eu nem sei se é ilha mesmo.
- Mas deve ser. Tome cuidado, viu. Não vai se meter no meio do mato sozinho.
- Talvez seja melhor eu levar meu gato.
- É, talvez seja.... Quando você volta?
- Não sei, quando a vida recomeçar aqui, eu acho.
- Tá. Eu devo passar minhas férias em Piratininga. Cada um com a ilha que merece.
- E Piratininga é ilha desde quando?
- E Sri Lanka, onde fica mesmo?
- Bem... Então boas férias. Te ligo quando chegar.
- Tá bom. Não esquece meu cocar de índio.
- Pode deixar. Tchau.
- Escuta, me manda a pesquisa no Google. Se Sri Lanka não for uma ilha, de repente eu me animo a ir te encontrar lá.
- Seria ótimo. Mando sim. Adios!
- Até.
Wednesday, July 05, 2006
ai ai....
Porque eu te imaginava com a cara turva antes de te conhecer. Sim, eu te imaginava antes de te conhecer.Porque você já existia em mim e não sabia. não sabíamos, nem eu e nem você. E porque não sabíamos foi que a força que rege essa coisa louca que a gente chama de amor resolveu finalmente botar a gente pra se conhecer. Obrigado. Porque agora eu sou A Mais Feliz. E porque eu tô boba e apaixonada vou parar de escrever. Porque eu desejo tudo de bom pra nós, sempre, pra sempre, pra até daqui a pouco, pra até quando a gente quiser.
Sunday, June 04, 2006
O poetinha
Ele tinha uma cara de quem não ligava pro mundo que me chamou atenção. Usava uma camisa quadriculada com uma calça rosa/roxa largada que não combinava em nada com o resto, pelo menos nas vitrines da zona sul. Ele carregava um casaco que - fez questão de frisar - custara nada mais do que cinco reais na Bahia. È antropólogo, mas fez questão de ser apresentado como poeta, antes de tudo. Ele abria o caminho com seu sorriso, que parecia querer iluminar o mundo. Disse coisas sobre mim que exigia certo grau de observação e atenção, fato que me deixou, no mínimo, com o rosto rosado. E bebemos e conversamos e rimos bastante ( ele ri das minhas piadas) e nos olhamos com um pouco de brilho a mais do que devíamos, e falamos de signos - eu libra, ele touro - combina? E falamos de amor e sexo. Ou de sexo e amor. Ele me chamava atenção porque não ligava pro mundo, e eu que demorei tanto pra escolher que roupa usaria naquela noite. Eu que combinava o fio do cordão com o tom da bolsa, e usava uma meia-calça sexy que chegava a me envergonhar por não saber agir como uma mulher que usa uma meia-calça sexy. Ele tinha poesias no bolso da calça, e as lia no meio do bar, com todo entusiasmo de quem já havia bebido um tanto. Não me lembro de um verso sequer do que lera, mas guardei o brilho no seu olhar e o tom da sua voz. E em algum momento a gente se despediu, como se ainda fossemos nos ver muito por aí. Não, eu não me apaixonei. Eu gosto de usar minhas roupas combinandinhas. Mas foi bom conhecer o menino do sorriso que queria abraçar o mundo. Só é uma pena eu não me lembrar do nome dele, que me chamou de Carol a noite inteira e eu deixei.
Monday, May 29, 2006
Ainda sobre mulheres...
Ela não era mais forte do que as mulheres mais fortes do mundo. Também não tinha as curvas mais belas do que as curvas mais belas das mulheres mais belas do mundo. Ela tinha poucas certezas na vida , e uma delas era a angustiante e absoluta certeza de que ela nunca seria a mulher mais importante do que as mulheres mais importantes da vida dele. Dele, que também não era o homem mais forte do que os homens mais fortes do mundo. E ele tinha um beleza que só ela e as mulheres importantes da vida dele conseguiam enxergar. Às vezes, ela deixava rolar em seu rosto algumas lágrimas que saíam sem que ela mesma soubesse o porquê, ou o por quem, ou o pra quê. Só sabia quê. Às vezes essas lágrimas saíam em público, no meio do bar onde ela costumava tomar sua cerveja quase diaramente, sozinha. Às vezes no meio do metrô. Às vezes no meio de um almoço de domingo em família. Mas só às vezes. Ela não era mais sábia do que as mulheres mais sábias do mundo, porque essas, com alguma certeza, ao menos sabiam porquê estavam chorando. por quem. ou pra quê. Ela sabia a diferença entre fazer sexo pela simples busca do prazer momentâneo e fazer sexo com ele, corpo que encaixava tão como peça que faltava no corpo dela. E fazer sexo por sexo deixava ela com uma sensação de quase nada no dia seguinte. De quase puta. Dava uma depressão, daquelas que dá no dia seguinte depois de usar pó. Isso ela deduzia, só. Ela só queria ter uma vida normal, e isso pra ela significava ter um amor normal. Tão simples, tão fácil, tão humano. Mas ela não tinha, nunca teve, ou não sabia o que era o amor. E ela talvez nunca saberá. Ela pensa que o amor é igual ao amor que o Cartola canta. E talvez não seja. Só porque ela não é a mulher mais sábia das mulheres mais sábias do mundo. E nem a mais feliz.
Saturday, May 13, 2006
A Dama do Lotação
Depois que ela soube que haviam inventado um vagão de metrô exclusivo para mulheres, sua rotina sacudiu um pouco. Afinal, Amélia estava tão acostumada a sentir em seu corpo o toque de corpos estranhos, corpos que ela não escolhia sentir, corpos bonitos ou não. De manhã eram corpos limpos, acabados de sair do banho, pelo menos em sua maioria. À noite eram corpos de um dia de trabalho, suados e vestidos por roupas já um tanto amassadas e sujas. Mas eram corpos que, afinal, ela já estava tão acostumada a sentir. Resolveu então experimentar a sensação de viajar de metrô encostando-se a corpos unicamente femininos. A faixa cor-de-rosa colada no vagão indicava que ali era o lugar delas, das mulheres-trabalhadoras-casadas-pudicas-feministas-que/não/suportam/homens/roçando/em/seus/corpinhos/gostosos. Amélia respirou fundo e mergulhou naquele universo de perfumes, shampoos, sapatos com saltos finos, bolsas espaçosas que esbarram em tudo e todos, voz fina e aguda gritando quando algum pobre ser da espécie masculina sem querer quase entra naquele vagão dos sonhos de qualquer homem e conversas sobre homens abusados que tentam entrar no vagão dos sonhos de qualquer homem. Amélia quase sufocou naquele universo cor-de-rosa. Ainda sentia algumas mãos que sem querer esbarravam em suas generosas nádegas, mas não se tranqüilizava com o fato de ter certeza de que eram mãos femininas, limpinhas e bem tratadas com cremes e esmaltes. Pelo contrário. Se alguma mão haveria de esbarrar em suas generosas nádegas, que fossem mãos que realmente se interessavam pelo assunto. Amélia começou então a se sentir em um universo meio lésbico demais, afinal, se houvesse alguma lésbica ali, ela sim seria feliz. E as mulheres-trabalhadoras-casadas-pudicas-feministas nunca saberão se continuam sendo assediadas, agora por outras mulheres, o que significa praticamente uma traição sem perdão dentro da classe feminina. Decidida, Amélia saltou do vagão de vaginas e correu para o vagão ao lado. Ao entrar, os homens com caras desoladas de mau-humor gerado pela falta de vontade de trabalhar somada a tristeza de tocar somente corpos masculinos, abriram um largo sorriso de esperança somado a pensamentos bem inescrupulosos voltados a Amélia. E ela não estava nem um pouco preocupada com esses pensamentos. Amélia só queria voltar a sua rotina, encostar-se a corpos que já estava tão acostumada a encostar, olhar discretamente para o dono da mão que sem querer encostava-se a suas generosas nádegas e ter a confirmação de que era uma mão sortuda, que se interessava pelo assunto. Ela se sentia a própria Dama do Lotação, e isso até gerava nela um certo tesão destemido que se evidenciava ali naquele ambiente tão...másculo. Amélia se sentia tão mais confortável naquele vagão. Nunca mais fez uso de seu direito de viajar roçando em mulheres. Afinal, a Amélia sim é que era mulher de verdade.
Thursday, May 04, 2006
Um ano de blog!
Esse blog fez um ano. Aproveitei pra ler de novo algumas postagens, e percebi que muita coisa aconteceu. Obrigado a todos que lêem minhas pirações, obrigado aos que comentam, obrigado aos que não comentam também, porque certas coisas desprezam comentários.
Friday, April 28, 2006
Não seria uma carta de amor se não fosse ridícula.
Peço não fazer bola-de-meia com meu coração. Peço não saber até você voltar. Peço-te em casamento. Faz um pacto de sangue? Eu juro, tu juras. Amor enterno, mesmo que caiamaos no ridículo. Peço trocar a eneternidade por uma noite nossa. Eu quero dar um passo a frente e seu bloqueio quer retardar o progresso. O calendário nos atrasa. Um século, um mês, são partes de nós, eu sei. E se a vida vai continuar bela? Eu colho a mais linda das rosas para enfeitá-la. Eu me hipnotizo com a lua para ter brilho nos olhos. É preciso seguir, meu caro, nem que para isso a gente tenha que desamarrar o bote, e aí é cada um para um hemisfério, e eu deixo você escolher sua direção primeiro. Eu queria ancorar nosso barco e virar um ponto de referência no meio do oceano.Mas é preciso seguir, e eu provavelmente remarei no bote, só.
Fica. Fica aqui. Não desgruda sua boca da minha.
Eu tenho medo de ficar sozinha.
E eu sem você... sou só desamor.
Fica. Fica aqui. Não desgruda sua boca da minha.
Eu tenho medo de ficar sozinha.
E eu sem você... sou só desamor.
