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Grandes viagens...

Entre, sente-se, fique à vontade.

Monday, June 27, 2005

Ao mestre, com carinho. Para Caio, sempre

- Sim, eu sei que eu exagerei. Peço perdão. É que você é meu querer, entende? Eu não vou achar alguém que dê conta do meu querer como você. Eu sei, eu não deveria ter gritado daquela maneira, é que seus olhos brilham tanto e eu não sei o que seria de mim longe deles. Sua boca é a que mais se encaixa na minha, e eu tô um pouco velha demais, um pouco preguiçosa demais, um pouco rouca demais, pra gastar saliva procurando outra boca que me complete. Meu pote de tolerância já tá cheio até a boca, e tô velha-preguiçosa-rouca demais pra procurar outro alguém. Sim, eu sei que um relacionamento como o nosso um dia ia se desgastar, te devo mais de uma década da minha vida e digo te devo porque você me fez feliz nesse tempo todo. É que você sabe fazer café do jeito que eu gosto. Você já viu 23 vezes o meu filme predileto. Você me estende o cinzeiro quando sabe que a cinza do meu cigarro vai cair no chão. Você entende como vai ser difícil achar outra pessoa que não seja você? Eu sei que você vai dizer que já é tarde demais, que já tem mágoa demais, que já nos esgarçamos demais, mas é que hoje acordei com sua imagem tão forte na minha cabeça como se eu tivesse sonhado a noite inteira com você, e você sabe que eu não consigo lembrar dos meus sonhos. Por favor, não comece a balançar a perna e contar as lâmpadas, eu preciso dos seus olhos olhando pros meus. Eu preciso acordar com você. Você é a única pessoa que acorda com o cabelo bonito. Se eu parar de falar por um segundo você jura que não vai embora? E nem começar a falar num tom de coitadinha dela que eu odeio? Jura?

Eu sei que eu devia parar de fumar, mas é que eu ando muito sem ação dramática, e fumar me faz ter o que fazer, pois são vários desejos saciados ao longo do dia. E a fumaça na contra luz faz uma imagem bonita, que eu gosto de seguir com os olhos. Você Devia parar de roer as unhas, isso não te leva a lugar nenhum. Não fantasia a realidade. Você se ofendeu? Não, não levanta ,eu sei que tô fugindo do assunto, mas você não me dá mais dois minutos da sua vida pra que eu possa te convencer de que você não vai sobreviver por muito tempo sem que eu esteja por perto? Não? Ei? Volta. Por favor. As cinzas do meu cigarro vão cair no chão em muito breve e você ainda não me trouxe o cinzeiro. Volta. Não? Não, você não está mais aqui e continuo falando como uma louca. Preenchendo meu tempo com a ação dramática de fumar um cigarro. Teatrinho de merda.

Wednesday, June 22, 2005

Certos textos não tem título!!

É tempo de meio silêncio. Tempo de olhar pra trás e ver que... Mais uma estação passou. O inverno chegou cruel, tirando os casacos empoeirados da gaveta de baixo. Os cancerianos comemoram seus aniversários, e por conta do tempo creio que o zoológico tenha que ficar pra depois. É tempo de meio silêncio, de adaptação da passagem de um grande amor. Da escama da pele se refazer, do corte novo de cabelo se encontrar no rosto e nas roupas. É tempo de notar que o casaco do inverno passado está um pouco curto pro corpo que se expandiu um tanto. E fora de moda. O Rio de Janeiro, que nada combina com o bater de dentes dos cariocas, se esforça pra manter seu aterro com um mínimo de beleza escondido pela neblina que não poupa esforços. E o inverno na Urca é quase glacial. É tempo de ouvir Adriana, de chorar no cobertor com Bethânia, de sentir os dedos congelados batendo teclas e gerando palavras. É tempo de ler Virgínia, a Woolf, que me olha todo dia da prateleira me perguntando quando vou ter coragem de decifrá-la. É sempre tempo de esquecer alguém. Não tanto esquecer, mas lembrar de outro modo. Virar a página, jogar o dado e mudar a casa. E eu fico aqui com Caio, o Fernando Abreu, lendo um conto que é mais prazeroso no inverno. Eu fico com Caio, “Para uma avenca partindo”, que diz muito por nós. E eu preciso ir agora porque hoje, apesar do frio, o dia será intenso. Porque hoje é aniversário de uma canceriana que muito me importa. Mi, aquele abraço, de um Rio de Janeiro frio.

Monday, June 20, 2005

Sinto

Do corpo o atrito.
Do atrito o arrepio.
Do arrepio o impulso nervoso.
Tesão.
Da língua a saliva.
Da saliva, o quente.
Do quente o úmido que tira o seco dos lábios.
Beijo.
A pupila dilata, atenta.
A veia segue, infinita, pulsa.
A mão sensível, tato firme.
O corpo em espera, pronto.
Do outro, a recíproca.
O olho que seca.
A boca que esgarça.
Os braços que buscam.
O encontro.
O encaixe.
A linha do corpo que segue.
Vira ímpar.
Gozo.

Sunday, June 12, 2005

Entre álcool e fumaça, vendo você partir.

Não se trata de amor. De toque, de homem e mulher. A gente tá em outro nível. Não se trata de não querer ficar junto. Há coisas muito reais e objetivas que não nos permite estar. E estar na sua vida, de qualquer maneira, já me traz um pouco de paz. Digo de qualquer maneira porque essa maneira já nem me importa mais. Já não quero mais saber de que forma você me ama, já que nunca vai ser da forma que eu quero que seja. E aí você olhou tão fixo nos meus olhos, me beijou tão como se fosse a última vez, me fez chorar feito criança que tá vendo alguém partir e não entende o verbo partir. Me fez sentir uma coisa no peito, creio eu que seja dor o nome, e fez cair minha máscara no chão. Me senti nua na tua frente, nua com os olhos vermelhos e molhados de tanto choro. E entre beijos, cerveja, cigarro e muito barulho eu compreendi. Saí do lugar de guerreira e abri minha mente pra aceitar que a gente é impossível. A gente é dupla, e não casal. E eu te amo. Muito. Sem precisar descobrir de que forma , porque a gente tá em outro nível, não é? Porque eu posso ser a mulher da sua vida, não posso? E você o homem da minha. Não precisa me pedir desculpas não, viu? E nem agradecer por eu ser tão sua sei lá o quê. E não precisa imaginar como seria sua vida sem mim, porque de alguma forma eu vou estar sempre com você. Eu sempre estive. Mesmo quando eu tinha vontade de sumir no mundo. E eu posso te dizer que não foram poucas vezes. Mas isso que eu tô sentindo agora, esse nó na garganta, isso você ainda não tinha me feito sentir. Isso é novo pra mim. E não passou junto com o efeito do álcool. Acordei com um gosto de ressaca e dor, e por enquanto não passou.

Wednesday, June 08, 2005

Aos arianos da minha vida ( amores eternos)

-Qual o seu signo?
- Áries.
- o quê?
- Áries.
- Por quê?
- Porque eu nasci entre 21/03 e 20/04?

Pra ela ainda não era uma explicação plausível. Queria saber de onde vinham os arianos, de que planeta, de que esconderijo secreto. Tinha mania de perseguição, e acreditava que os arianos tinham como missão de vida destruir a sua vida. Libriana, ascedente capricórnio, lua em algum lugar qualquer, algum bicho muito bizarro no horóscopo chinês. Desequilibrada, como toda boa libriana. Sua balança pesava mais pro lado que não devia. Desajustada, coitada.

Tentou mais uma vez.

- Não que eu ache que isso é importante, mas qual o seu signo?
- Você acredita nessas coisas zodiacais?
- Depende do que você chama de zodíaco. Em alguns casos eu chamo de carma mesmo.
- Diz você o seu signo então.
- Nada disso, eu perguntei primeiro.
- De que signo você acha que eu sou?
- Não sei, só sei o que eu gostaria muito que você não fosse.
- Áries.
- não.
- como?
- não, você não é de Áries.
- Do que que você tá falando?
- É simples. Muda de signo agora, vai. 7 e 8

Tentativa frustrada. Ficou conhecida pelo ariano como uma menina com preconceitos zodiacais.
E assim vieram outros ,sucessivamente . Não podia ser normal. Não achava explicação para aquela perseguição astrológica.

Tentou uma outra vez. Primeiras frases ditas a um rapaz:

- sim, eu sei que você é ariano, sei dos teus defeitos e qualidades, sou libriana, a gente se atrai, mas a gente não consegue ficar junto, sabe aquele papo de que opostos se atraem? Então, carne e unha, alma gêmea, metade da laranja, tudo isso. A gente vai ficar junto no máximo 1 mês , mas depois vamos continuar atraídos um pelo outro, porque tem todo aquele lance de ima que já te disse. E tem mais: a gente não vai conseguir se livrar nunca um do outro, por mais que a gente queira estamos condenados a viver um amor impossível. Sabe, amar e não poder tá junto? E tem mais... Dependendo do teu ascendente, lua, numerologia e horóscopo Chinês, a coisa pode ser mais braba do que imaginamos. Aventura? Diria que sim. Mas é um risco. Só tô te dizendo isso tudo pra não te assustar, pra você não ficar iludido achando que é bacana achar a metade da laranja. Então, você quer me dizer mais alguma coisa antes de sair correndo?

E comemoraram vários aniversários de namoro. E ele foi o amor de sua vida. Até o dia em que ela sentiu que sua balança andava equilibrada demais, e que talvez a instabilidade lhe fizesse falta.

- Você mentiu pra mim esse tempo todo.
- oi?
- Você é uma farsa.
- quê?
- Ariano... ariano uma ova, seu falsificado!
- tá tudo bem?
- Não, claro que não. Meu dedo mindinho tá balançando, e quando meu dedo mindinho balança é sinal de que tem alguma coisa errada.
- Tem mesmo, seu sistema nervoso. Tá maluca?
- Tô. Sai daqui e não me apareça mais, seu fora de órbita. Órfão de signo.
- Minhas almas, você enlouqueceu.
- Não enlouqueci não querido. Sou balança, ariano não pesa pouco.

De fato ela entendeu que não se tratava de apatia. Seu problema zodiacal era sério, e precisava de cuidados. Tomou uma decisão: De agora em diante se assumia hora como geminiana, hora como taurina, mas nunca mais como libriana.

E não é que deu certo!?