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Grandes viagens...

Entre, sente-se, fique à vontade.

Wednesday, October 25, 2006

Um desabafo mais explícito.

Eu prefiro meus textos de antes de você. Você estragou um pouco minha literatura, porque escrever sobre a felicidade e sobre o amor nunca me agradou muito. Esse lado menininha apaixonada eu até exerço de vez em quando, mas sempre me leio idiota. O amor e todas as babaquices que o circundam sempre soam idiota. Às vezes até na voz e poesia do Vinicius ( o de Morais, claro, sempre). Eu adoro o fato do nosso amor estar livre de algumas coisas que eu achava que faziam parte, obrigatoriamente, de uma realção. Nosso amor tá livre de datas, e isso tá sendo bom e novo pra mim. Aliás, a única data do nosso amor foi o dia em que a gente se conheceu, o dia que ele ganhou vida e disparou a crescer ( que dia foi mesmo?)
Eu conto há quantos dias estou sem você por perto. Sem sua pele, pra ser mais específica. Eu conto há quantos dias não sei dos seu olhos, há quantos dias não sei da sua lingua na minha, da sua mão na parte de dentro da minha coxa, lugar que já virou tão seu pelo seu querer. Eu conto há quanto tempo não sinto o seu cheiro, que nem é um cheiro de perfume, é o cheiro da tua pele, aquele que é identidade da gente. Eu conto há quanto tempo a gente não faz as coisas que a gente amava fazer junto, que vão desde sexo até almoçar yakisoba no pé-de-chinelo chinês. Eu no Flamengo sinto sua falta. Eu nos cinemas de botafogo sinto sua falta. Eu no Centro sinto sua falta. Eu na Lapa, eu em Santa Teresa, eu na faculdade, eu no trabalho, eu em casa, eu no ônibus, eu em Copa, eu em Sampa, eu em qualquer lugar que eu já tenha sido a gente. Cartola me lembra você. Zé Ketty me lembra você.Chet baker me lembra você, e jazz nunca foi nosso ritmo. Eu demoro a perceber as coisas pequenas ( aquelas famosas, que dizem ser a felicidade mais simples) sem você por perto. Vou vivendo minha vida sem você porque, querendo ou não, ela não costuma parar pra que a gente, eu e ela - a vida- discuta relação.E conto os dias pra te ver de novo. E sorrio os lábios pensando nesse dia. Me disseram que a felicidade não pode ser promessa nem objetivo de ninguém. Então eu vou vivendo esquecendo esse lance todo de saber se estou feliz, como quem bota um termômetro pra saber se tem febre. Mas saiba ( você sabe, apesar de não ler meus textos), o tamanho da falta que você faz. Como o dedo mindinho do Lula.Como Alguns grãos de açucar no café. O bussunda, pros Cassetas. O Zacarias pros Trapalhões. Queijo ralado no macarrão. Um pinto pro sexo dos gays. Um pinto pro sexo das heteros.Um acento no a de quem vai à algum lugar.Um CD animado numa festinha improvisada. Uma cerveja gelada debaixo do sol. Um cigarro pra acompanhar a cerveja. Uma mãe quando se está doente. Um carro quando se está longe e com preguiça. Cássia Eller. Nando Reis nos Titãs. Cultura pra quem não a tem. Um bom livro pra uma viagem longa.O sol num feriadão.Sexo num dia de cio.

6 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Foda.
Não vou nem falar mto pra não estragar.

Se ele não vem ler, manda por e-mail, carta, dentro de garrafa, pelo celular ou de qualquer outra maneira. Mas não deixa de mostrar isso.

Gostei do uso do Chet Baker no texto. Putaquepariu, foi o ápice. Todo mundo merece Chet Baker na vida.

Beijão.

10:06 AM  
Anonymous Anonymous said...

Lindo, meu amor. Imagens fortes, precisas, pessoais e absolutamente universais. Amei o cresente do meio para o final. E acho que você poderia deixar na mesa antes de pegar o avião para voltar para o Brasil. Assim como uma declaração...

saudade

7:35 PM  
Anonymous Anonymous said...

Lindo lindo lindo lindo!

8:39 AM  
Blogger fmaatz said...

Bem eu mesmo ela está. Acho sempre o eu melhor porque mostra mais nosso ridiculo, sei lá. No eu a gente sabe que é meio patético, né?
Legal o texto, pena que teu objeto não leia, pena mesmo...mas tem uma coisa que tá errado no texto: o mindinho do lula não faz falta...imagina só se ele tivesse 10 dedos acho que nem seria presidente. Ossos do ofício, por assim dizer...
beijos

5:33 PM  
Anonymous Anonymous said...

Eu leio e choro...

11:58 AM  
Blogger Verônica Rocha said...

eu ia meio que dizer que você ficou melada. mas o que seria o doce de banana se não fosse melado.
sei não. é isso. é você de outro jeito de ser você.

6:01 AM  

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