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Grandes viagens...

Entre, sente-se, fique à vontade.

Friday, April 28, 2006

Não seria uma carta de amor se não fosse ridícula.

Peço não fazer bola-de-meia com meu coração. Peço não saber até você voltar. Peço-te em casamento. Faz um pacto de sangue? Eu juro, tu juras. Amor enterno, mesmo que caiamaos no ridículo. Peço trocar a eneternidade por uma noite nossa. Eu quero dar um passo a frente e seu bloqueio quer retardar o progresso. O calendário nos atrasa. Um século, um mês, são partes de nós, eu sei. E se a vida vai continuar bela? Eu colho a mais linda das rosas para enfeitá-la. Eu me hipnotizo com a lua para ter brilho nos olhos. É preciso seguir, meu caro, nem que para isso a gente tenha que desamarrar o bote, e aí é cada um para um hemisfério, e eu deixo você escolher sua direção primeiro. Eu queria ancorar nosso barco e virar um ponto de referência no meio do oceano.Mas é preciso seguir, e eu provavelmente remarei no bote, só.
Fica. Fica aqui. Não desgruda sua boca da minha.
Eu tenho medo de ficar sozinha.
E eu sem você... sou só desamor.

Saturday, April 08, 2006

Sobre a perda.

É uma dor que dói bem fininho aqui dentro. Começa embaixo do peito e sobe pela garganta querendo sair pelos olhos. É um medo que fica rondando por aqui. É vontade de amarrar tudo que se ama com uma corda e ficar segurando pra sempre, garantindo que nunca haverá distância alguma. Perda alguma. Dá uma fragilidade. Dá medo de seguir adiante. Somos pequenos, somos muito menos do que o universo. Somos mortais, e isso assusta. Dá vontade de parar de fumar, de cortar o cabelo, de sair pelada na rua, de ir à Europa, de aproveitar cada segundo da vida, por mais clichê que isso seja. E eu te falei que estava bem sensível (ou senão falei, você deveria ter deduzido), e esse sentimento de perda ainda rondava meu coração, vindo debaixo do peito e subindo até os olhos. Debaixo dos fios d`água caindo do chuveiro, você me diz que vou te perder. A dor que dói bem fininho dessa vez corre no caminho entre meu peito e meus olhos, indo e voltando, indo e voltando... Eu continuo a ensaboar seu peito tentando disfarçar o nervosismo que não me permitia segurar o sabonete direito, fingindo ouvir com entusiasmo a grande novidade. Vou te perder por um bom motivo, mas não deixa de doer como uma perda, porque sozinhos somos pequenos/frágeis. Somos muito menos, entende? E nós juntos somos fortes, somos gol do flamengo, somos confetes e serpentinas, somos encaixe, completude, achados e perdidos, cervejas e cachaças, fumaça e piadas de seriado americano. Te achar e te perder. No dia seguinte do banho, uma pergunta pra uma resposta que doeu de novo, que fez a ficha cair. A gente sempre precisa ver ou ouvir alguma coisa que faça a ficha cair. Você vai embora e temos os dias contados. Então não procure meus pés com os teus no meio da noite sobre o seu lençol azul claro. Não me cubra de elogios, não me faça lembrar que somos mortais. Alguém sempre vai e alguém sempre fica. Quem fica chora mais. Por isso, antes de você partir, pare de me lembrar que você vai partir. Me deixa eternizar nossas noites e fazer planos para nós, mesmo que sejam de mentirinha, enganação. Me deixa esquecer que você vai partir, porque a tortura dói mais do que o choque. Desliga o chuveiro, meu dedo já enrruga. Vamos pro lençol azul tentar esquecer dos dias cinzas que virão. Você dorme, eu vou fumar um cigarro na janela, e tá tudo certo. Pelo menos por enquanto.