Sobre a perda.
É uma dor que dói bem fininho aqui dentro. Começa embaixo do peito e sobe pela garganta querendo sair pelos olhos. É um medo que fica rondando por aqui. É vontade de amarrar tudo que se ama com uma corda e ficar segurando pra sempre, garantindo que nunca haverá distância alguma. Perda alguma. Dá uma fragilidade. Dá medo de seguir adiante. Somos pequenos, somos muito menos do que o universo. Somos mortais, e isso assusta. Dá vontade de parar de fumar, de cortar o cabelo, de sair pelada na rua, de ir à Europa, de aproveitar cada segundo da vida, por mais clichê que isso seja. E eu te falei que estava bem sensível (ou senão falei, você deveria ter deduzido), e esse sentimento de perda ainda rondava meu coração, vindo debaixo do peito e subindo até os olhos. Debaixo dos fios d`água caindo do chuveiro, você me diz que vou te perder. A dor que dói bem fininho dessa vez corre no caminho entre meu peito e meus olhos, indo e voltando, indo e voltando... Eu continuo a ensaboar seu peito tentando disfarçar o nervosismo que não me permitia segurar o sabonete direito, fingindo ouvir com entusiasmo a grande novidade. Vou te perder por um bom motivo, mas não deixa de doer como uma perda, porque sozinhos somos pequenos/frágeis. Somos muito menos, entende? E nós juntos somos fortes, somos gol do flamengo, somos confetes e serpentinas, somos encaixe, completude, achados e perdidos, cervejas e cachaças, fumaça e piadas de seriado americano. Te achar e te perder. No dia seguinte do banho, uma pergunta pra uma resposta que doeu de novo, que fez a ficha cair. A gente sempre precisa ver ou ouvir alguma coisa que faça a ficha cair. Você vai embora e temos os dias contados. Então não procure meus pés com os teus no meio da noite sobre o seu lençol azul claro. Não me cubra de elogios, não me faça lembrar que somos mortais. Alguém sempre vai e alguém sempre fica. Quem fica chora mais. Por isso, antes de você partir, pare de me lembrar que você vai partir. Me deixa eternizar nossas noites e fazer planos para nós, mesmo que sejam de mentirinha, enganação. Me deixa esquecer que você vai partir, porque a tortura dói mais do que o choque. Desliga o chuveiro, meu dedo já enrruga. Vamos pro lençol azul tentar esquecer dos dias cinzas que virão. Você dorme, eu vou fumar um cigarro na janela, e tá tudo certo. Pelo menos por enquanto.

8 Comments:
Miu,
perda... Palavra ruim, né? Ela sozinha já é vazia. Já é completa! Completa de solidão. Mas acho que a perda às vezes traz reflexões e nessas reflexões a gente cresce. Que merda, né! Sabe do que mais? Chora mesmo! Sofre suas perdas para sair delas inteira. Porque vc tem 20 anos, mas dá olé em muita gente de 30 q eu conheço e sem perder o frescor dos seus 20 anos. Meu colo tá aqui, e ele é imenso. Cabe vc inteira. Cabe suas dores e suas perdas. Mas até perder, vive! Mas vive inteira, vive tudo. Sabe pq? Pq a gente nunca sabe d nada. O perder pode virar ganhar. Mais na frente vc acorda e descobre q não vai perder nada demais. O q importa mesmo sempre será o q vc viveu. Pelo menos é o q vejo qdo contabilizo minhas perdas. As q eu saí inteira foram as q eu vivi até o fim, sem medo da perda antecipada, sem medo de nada. Linda, linda, linda! Não vou cansar nunca d falar isso. Pq é mais do q uma beleza física, é a beleza d uma amiga q só o meu samurai me passa o q é. Tô aqui p/ suas perdas e suas vitórias. Inteira. P/ o q vc precisar.
Beijo, beijo!
Demorou, escreveu e escreveu bonito. Sobre a perda... É engraçado que essa palavra "perda" transmite algo negativo, mas quando você pára pra analisar consegue ver fácil o positivo. Pra você perder alguma coisa que te faça muita falta é porque foi muito bom antes de perdê-la. Será que isso faz o fato de perder ser bom?
Bom, tô viajando. Perder é ruim, mas esse "ter algo" pra perder.. Esse algo é bom. É esse algo que a gente vive buscando e perde e busca e perde... E assim vai...
Resumindo, ficou muito bom o texto. São 5:40 da manhã e consegui filosofar em cima dele ainda hehehe.
Vê se escreve mais. E bonito desse jeito...
De longe o que perdemos, quando perdemos é o que vemos refletidos de nós nos outros. Tá tudo aí, com você. Nosso maior tesouro somos nós e pra isso ganhamos e perdemos e caímos e levantamos: a vida é sabidinha e dura fazendo a gente crescer na marra, às vezes. Mas se dar conta do crescimento é o bônus, é o que independente de qualquer coisa ou qualquer um, faz tudo valer a pena. Ok, são quase 7 da manhã e discurso palavras quase sem sono de um preguiçoso inveterado que devia escrever mais e não escreve, que devia ler mais, conversar mais, produzir mais, mas não o faz. Percebo relendo a falta de nexo ou a total pertinência de tudo. Só vc sabe o que fazer com minhas palavras, suas perdas e todo o resto. Mas aproveite sempre! Se aproveite! Me aproveite! Óia... tá certo, vou dormir.
ah, eu não sei... dessa semana, entre perdas e ganhos, nós nos demos de presente um acaso tão gostoso, tão nosso...
te amo, em dia de campeonato ou não.
escrevi sobre nós lá em casa.
Minha amiga, tens meu ombro disponível pra chorar e rir todas essas perdas! Te amo e quero entender melhor isso tudo!
Se escrever é uma forma de fugir da realidade ainda não sei, mas q qt mais a realidade anda doendo melhor se escreve com certeza. Gostei mt, acho q vc conseguiu juntar aquelas coisas de que falamos, o desabafo e a poesia unidos de uma forma linda. O lençol azul ainda vai estar lá bastante tempo então aproveite o máximo. beijo grande.
perdi um amigo agora no feriado num acidente de carro. Um cara avançou o sinal e jogou o carro dele no poste.
Teu texto desde o título ficou diferente nessa segunda leitura.
como escreveu lá achei que tinha atualizado, mas não atualizou. por isso, ATUALIZA, meu bem!
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