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Grandes viagens...

Entre, sente-se, fique à vontade.

Monday, August 07, 2006

A coisinha mais pequenina do mundo.

Assim como uma boneca de porcela. Assim assim, bem frágil. Uma pequena coisinha agarrada em outra pequena coisinha no meio desse mundo imenso. Músculos doloridos, cérebro querendo sair da cabeça, coração molenga, daqueles que se pode botar na mão e fazer carinho por pena. Como se fosse quebrar com um bocejo de alguém, ou ser achatada por uma gota d`água qualquer. Era assim que ela se sentia diante desse mundo que não parava de crescer, assim como as unhas dos dedos de seus dois pés. Pensava que a cada cinco respirações suas, nascia uma nova pessoa no planeta. Pensava até além dos limites do planeta, já que estrelas poderiam nascer também. Ela tinha medo de ser esmagada pelo mundo, de morrer asfixiada. Sofria de claustrofobia, assim como sua mãe. Tinha Pânico de elevador, assim como seu pai. E cada vez que se sentia infinitamente pequena em relação ao mundo, ficava olhando para uma caixinha colorida que tinha na sua cabeceira, tirando vantagem de ser maio do que ela, de poder pegá-la nas mãos e destruí-la quando bem entendesse. Mas nunca chegou a fazê-lo. Além de frágil, era medrosa, sofria por antecipação, tinha medo do escuro e das pessoas. Não sabia onde essa angústia ia parar, e se um dia ela ia conseguir enxergar toda essa grandeza de uma maneira bonita. Queria achar o infinito do mar tão belo quanto a boniteza de uma joaninha. Queria ver o casco de um navio e ter coragem de chegar bem pertinho a ponto de tocar. Só via beleza em coisas pequenas, talvez por segurança. Precisava se sentir segura sempre. Já teve vontade de morar numa casinha de boneca. Ela, de porcelana, com um teto e paredes que pudesse tocar. Tinha necessidade do concreto, do que os olhos pudessem ver ao todo, sem ter que imaginar infinitude para as coisas. O infinito era o responsável por várias noites de insônia. O infinito é grande demais pra caber na sua imaginação, e até doía nela imaginar um fim pra tudo que dizem ser eterno. Odiava reticências. E ao contrário do Chico, ela se afobava sim, porque tudo é pra já. Aqui, agora, presente, concreto. Presente. Eu sou. Eu estou. Je suis. E ela foi assim pra sempre. Pelo menos até o sempre dela, que, contrariando todos os seus desejos, foi quase eterno.

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Com lágrimas escorrendo dos meus olhos digo que esse texto mexeu comigo. Lindo demais!

2:30 PM  
Blogger fmaatz said...

?
por que?
por que não atualiza?
por que?
qual é a desculpa da vez?
E como é que eu fico?
O que vou ler agora quando estiver babando?
Assim não dá. Vou ter que difamar.

8:54 PM  
Blogger fmaatz said...

porra!
esse blogue é mesmo uma merda.
fala pra ela, aquela ela dos textos, que já faz 1 mês que não tem nada aqui.
Fala pra ela que ele falou que esse blogue é uma merda.
ok?

11:31 AM  

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