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Grandes viagens...

Entre, sente-se, fique à vontade.

Sunday, November 04, 2007

sempre passa.

Ela só esperava setembro chegar, enfeitada com seu melhor vestido, carregando uma centena de flores(lírios, dos mais bonitos), e munida de uma vontade de possuí-lo o corpo e a alma, da maneira mais intensa que se pode possuir alguém, daquela vontade que dá de tornar-se um só ( a isso deram o nome de amor).
Ela esperava da maneira mais bonita que uma mulher pode esperar por seu homem, como aquelas que esperavam seus soldados voltarem vivos da guerra, porque a esperança era de que o amor deles voltasse vivo. A esperança era de que não tivesse havido guerra.
Às vezes ela esperava embriagada num bar, mulher largada em busca de um sexo que, sabia, nunca seria tão bom quanto.
E era na letra do bolero que sua história de espelhava. Era no romance que lia, no filme francês que assistia, nos papos que tecia (e como é fácil falar de amor).
A imagem era até bonita, aquela moça tão apaixonada que corava e ganhava brilho nos olhos quando se dava conta, em alguns desses papos de amor, que faltava pouco pra essa espera cessar( na verdade, se dava conta a cada vez que virava uma folha da agenda, francesa).
Quando a espera se tornava insuportável, ela fazia poesia, algumas até mandava pra ele, só pra reafirmar com palavras que valia a pena, que valeria a pena. A vida não poderia ser tão injusta e fazer com que fosse tudo em vão, ela pensava e se repetia todos os dias antes de dormir com a solidão e com a ausência do corpo dele.
Ela só esperava setembro chegar com sua primavera, e no entanto ele chegou com um outubro quase outono, e fez com que tudo virasse uma imensa tempestade de verão. A sorte é que chuva de verão sempre passa, deixando a esperança de que no dia seguinte haja sol.