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Grandes viagens...

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Monday, July 18, 2005

Por uma vida menos ordinária

Nossa história dava uma comédia romântica. Longa metragem, cinema mudo, vilões, mocinhos, bem Closer, bem Encontros e Desencontros e eu bem no tipinho Meg Ryan. Nossa história mata de rir e fala de amor. Faz chorar coração de pedra.Cria expectativa e torcidas pra final clichê/feliz. Roteiro incompleto, obra inacabada... Diálogos fortes, cenas cortadas. E eu que sempre quis fazer cinema, e você que sempre quis personagens fortes, e a gente que sempre tenta um final feliz. E eu que não quero ser heroína nem mocinha e você que não sei se daria um bom vilão. A nossa história daria um bom dramalhão mexicano. E eu que ando um tanto bêbada, entorpecida de memórias boas ou não, embevecida de finais tristes, de contos mal contados. Meu tipinho Meg Ryan vai bem com o seu tipinho Hugh Grant, e a gente tem química, ninguém pode negar. Então debaixo do cobertor frio a gente se encontra nas dúvidas, no gosto literário, no gosto por filmes, roupas, cenas, atores... A gente se encontra nas nossas cenas, tão tipicamente nossas que dariam um bom seriado americano. Imagine você, nossas vidas em partes, capítulos, a emoção dividida em intervalos pra vender produtos. E a gente fazendo chorar o adolescente mal amado, os amores mal vividos, a senhora que casou com quem não amava e passou o resto da vida perguntando o que seria a amor. Nossa história venderia milhões, renderia aplausos, e a gente poderia ganhar o Oscar. Já pensou? Nós no tapete vermelho com roupas exclusivas e flashs na cara? Não te excita? Nós desfrutando do sucesso de representar nossas vidas, nós vistos por lentes, nós vivendo uma ficção. Flash espocando, já não sei o que é real ou o que somos nós. Onde o flash começa? Onde você termina?
E eu torcendo pro roteirista inventar um final menos real, menos esperado...Mais feliz, eu diria. Porque final em aberto, já basta o da realidade. Não quero ser Meg Ryan e simular um orgasmo pra te convencer. Convença-me. Aliás, não é nesse filme que a Meg Ryan chora no final?
Corta!

3 Comments:

Anonymous Anonymous said...

Primeira!!!
Gostei! Sonhos é o que não faltam, né? Mas o que seria da vida sem eles! Acho que ando precisando sonhar mais!
Beijo

8:05 PM  
Blogger Danilo W. said...

COMO?

Então, esse "CORTA" final é bom... queria eu roteiro da vida, final feliz e/ou inesperado, bjo romântico e palmas no final. Não saber, mas ter a certeza de. Querer... Qual é a graça afinal?

8:12 PM  
Blogger Lorena Serafim said...

A gente sempre fala pra alguém, agora imagine se esse alguém lesse, ouvisse, prestasse atenção no que a gente diz, seria mais fácil e viver não seria um filme!

10:29 PM  

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