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Grandes viagens...

Entre, sente-se, fique à vontade.

Wednesday, July 06, 2005

Tédio (ou O Óbvio)


Como é odioso o som de uma partida de futebol. São Paulo x Atlético Paranaense, numa casa de flamenguistas. Só não a irrita mais do que vídeo cacetada aos domingos no Faustão. Precisava sair dali. Precisava andar pelada quando quisesse, fumar o que quisesse e quando quisesse e ouvir silêncio. Quando quisesse. E esse era só o começo de umas férias quase sem planos: Uma peça pra começar a fazer, uma carteira de motorista a tirar, uma viagem ao Recreio dos Bandeirantes, um show do Sr. João na sexta, uma suruba e algumas peças a assistir.
Viu o inverno chegando sentada na praia de Copa pegando o último fio se sol do outono.
Se pendura no telefone, pela falta do que fazer. O chiado do aparelho já nem a incomoda mais. A cadeira quebrada do computador também já não a incomoda tanto, a não ser pela dor na lombar que sente ao deitar.
Por que não conta logo a todos os membros da casa que é fumante? Por que não conta que já fodeu com bastante gente e que já fez até ménage? Por que não conta que fuma maconha e quer tomar bala?
Porque não quer ser a atriz-pirada-drogada-prostituta da família. Porque tem medo do exagero, e gosta de ser tratada com doses homeopáticas, e se assusta com a chegada de uma provável nova dor.
Seus pés gelados encostam-se às flores murchas da mesinha de centro. Não se abala. A roupa passada em cima da cômoda já ganha poeira. Não se incomoda. Os livros da bienal ainda não foram todos lidos. Não a atraem. Passa a tarde deitada ouvindo o barulho da chuva e do jogo na TV, torcendo pra que não haja gol. Merda, gol do São Paulo. Gritos dos flamenguistas da casa. Gritos abafados e irritados dentro dela. Precisava sair dali.
Pensa em vender camisetas, cordões, tomates secos. Pensa em trabalhar no outback e morar em Ipanema.
Faz que fuma a caneta verde que está na sua mão tamanha é a vontade de fumar um cigarro. Quase rasga o que acabou de escrever. O intervalo do jogo parece mais odioso do que o próprio jogo. Até seus pensamentos hoje estão sem graça, não poéticos, entediantes.
E não consegue inventar um final por texto que escreve.

6 Comments:

Blogger Danilo W. said...

Mila, vim reler o texto sóbrio e continuo gostando muito, viu? É quase uma expurgação rebelde de uma quase adulta de classe média. Retrato da juventude transviada e desinteressada, não politizada, mas afoita. oi? E com muito humor!!!
Vem bem Camila F. As 19 anos, drogada blá blá

9:16 AM  
Anonymous Anonymous said...

A melancolia ainda não passou, mas se continuar a escrever textos bons como este, vai passar! Eu te peço: volte ao humor!!!
Beijo

10:58 AM  
Anonymous Anonymous said...

Camila,
Quero te conhecer melhor. teus textos são instigantes, de uma siceridade rasgante e um humor afinado. Precisamos conversar! Quero seus contatos! meu e-mail é jtoledo@ediouro.com

11:44 PM  
Blogger ana said...

Mila, a sinceridade com q vc ocsnegue se expor nos seus textos (seja você ou não) os tornam muito interessantes, rascantes mesmo. mas vamso sair dessa?? Beijo grande e hj tem show!

10:39 AM  
Blogger Lorena Serafim said...

Tem alguém aí com um nó na garganta que não adianta gritar? Não sou médica de garganta nem de nó, mas tenho tantos nós, já me dei tantos nós que me vejos nos seus (não em todos, claro)

10:05 PM  
Anonymous Anonymous said...

oi gatinha! só agora descobri seu blog e estou estupefato! não sabia que voce escrevia tanto e tão bem.
me faz lembrar daquelas tardes de filosofia no cp2... discussoes sobre a vida e pensadores antigos e pensamentos novos. e filmes. muito bom saber que voce nao desistiu das suas grandes viagens. as minhas ficaram esquecidas por uns tempos. saudade. preciso mais ainda te ver agora. e acabei de mandar uma mensagem no seu orkut dizendo isso hehhehe. que chato eu. mas de alguma forma a sua intesidade me inspira. beijo muito grande.

9:16 AM  

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